Escrevo
Depois de tanto tempo, volto ao papel. Tolice minha achar que seria imediato. É preciso maturar, sentir, sobretudo quando a interlocução é com você, ser das intimidades, dos afetos, dos não confessáveis.
Mas a alegria é que deixo de apenas constatar. Eu escrevo. Eu postarei. E meu coração estará em festa pela comunhão que se anuncia. Você lerá isso e a imagem desta cena me é cara, preciosa, repleta de entendimento, cheia da acolhida que tanto buscamos. E isso me traz paz.
Em um trecho do livro Conto de Natal, diz-se que o pudim compartilhado pela família no dia de Natal tinha um cheiro que fazia lembrar ao mesmo tempo um restaurante, uma pastelaria e uma lavanderia. De tão bom, tão tudo. E é assim que me sinto ao voltar a sacramentar o mistério da escrita com você.
Em outro trecho, de outra obra, de algum outro lugar: "Escrever. Não posso. Ninguém pode. É preciso dizer: não se pode. E se escreve." Assim, quando a mão erguida para negar se vê redimida no próprio ato da criação. Que bom ter para quem dizer. Que bom saber que é você.
Faço um convite à abstração deliberada. À observação sensível do cotidiano. À criação sem censura: de um lápis, da ausência de som ou de qualquer outra coisa. Façamos escrita. Façamos morada nas palavras.
Com carinho,
23/05/2014
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