Cirandar
Eis-me aqui. A escrever. Não sei se ainda o sei. Faz muito tempo. Este lugar convida. Estou bela e em paz. As mãos operam. Neste instante. Eu gostava muito de juntar, encaixes me atraíam. E combinavam com silêncios. Prolongados.
Gostava da vida. Em baile. Ou melhor, em ciranda. Ali, o deleite do encontro se derramava entre pés e mãos. Aqueles, ritmados e harmônicos. Essas, emaranhadas. Ato contínuo. Ato perfeito. Cadência de pulsar vida.
Que é dessa menina? Cá vem, novamente. Trazida por mãos maduras, seguras, que pra não mais se perder. Vem cá, vem. Vem deixar o vento bater. Vem ver a formiga subir tudinho e depois descer. Vem ser cantoria. Vem enluarar o olhar. Vem virar uma esquina. Vem recitar. Vem beijar devagarinho. Ver sentir o rosto colar. Vem ouvir os passarinhos. Vem cirandar. Vem dizer seu nome grande. Vem criar uma canção. Inventa um ritmo e um compasso. Segura na minha mão.
Primavera de 2024
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